Elis – 70 Anos!

 

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ELIS REGINA – 70 ANOS

E quem é essa mulher?

Tão forte, sabendo o que quer

Vinda do sul, no lindo trem azul

Cantando a bossa nova, jazz e blue

Subiu a miúda, no palco se agigantou

E foi do Beco das Garrafas a Montreux

Seu brilho como das estrelas, tão radiante

Tão verdadeira sem ser um falso brilhante

Na mente imortalizada, ao fã ela se reinventa

Hoje a pimentinha comemoraria seus setenta

E foi tanto sucesso que a crítica tirou o chapéu

Hoje a marciana, Elis, canta pra terra lá do céu

 

Autor José Maria Cavalcanti

 

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Homenagem a Elis Regina

 

SIMPLESMENTE ELIS – A FÁBULA DE UMA VOZ NA TRANSVERSAL DO TEMPO

 

 

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Com Maria Rita na passarela do Sambódromo, que mais parecia a Elis Regina remoçada, a Vai-Vai tirou o doce da boca da Mocidade, arrebatando o título do Carnaval de São Paulo, para a alegria dos milhares de apaixonados da tradicional escola de samba paulistana.

A apuração foi emocionante, sendo acompanhada por Ana Hickmann e também pelo maestro João Carlos Martins. Ana Hichman, feliz com a vitória, por ter sido destaque como Madrinha de Bateria gritou: “É nosso!”; e o maestro, que havia sido homenageado na vitória da Vai-Vai em 2011, repetiu o tema: – “A Música Venceu” de novo!

A homenagem a Elis Regina foi contagiante e ainda vai dar muita festa por muitos bairros da capital, principalmente na Bela Vista.

Elis Regina agora se tornou a décima quinta estrela da escola, uma referência a este décimo quinto título.

Quem perdeu poderá ver de novo o show da Vai-Vai no Desfile das Campeãs.

 

 

 

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Oração a Deus

ELIS REGINA – LOUVOR A DEUS

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SE EU QUISER FALAR COM DEUS

Letra – Gilberto Gil – 1980

Intérprete – Elis Regina

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar

Hoje, o maior desejo do jovem é estar on line 24 horas. Para isto, o objeto de consumo mais requisitado é o último lançamento de celular ou tablet. Para a juventude, é entediante ficar em um lugar parado ou numa aprazível cidade interiorana, sem as badalações e agitos da noite de uma cidade grande.

Nesta música, escrita por Gilberto Gil e divinamente interpretada por Elis Regina, a proposta é se desligar de tudo, do vestuário formal, do luxo ou qualquer outra coisa do mundo material.

O autor nos diz o “modus operandi” para se ligar a Deus. É preciso estar despido de itens materiais, completamente nu, para estabelecer tal contato.

Quando temos que nos abrir com alguém, profissional ou não, a primeira ideia é nos defender, omitindo nossas fraquezas. Diante de Deus, ao contrário, todas as máscaras devem cair ou qualquer tipo de falseio.

Se quisermos realmente estar on line com Deus não precisamos de equipamentos, dentro de nós há uma centelha divina que nos conecta com Ele, como uma rede wireless.

Não é necessário luz artificial ou ser um grande comunicador, basta apenas nos aquietar e buscar esta sintonia com o alto.

A correria do mundo faz nossa cabeça girar a mil, causando em nós muita ansiedade. Estamos sempre com uma data na cabeça, um número ou alguma preocupação com o que virá amanhã. Diante de Deus, devemos zerar nossa mente, esquecer tudo e a todos, só assim estaremos prontos para mergulhar na infinita paz divina.

Às vezes, estamos vivendo uma vida de muito luxo, mas dentro de nós há um imenso vazio. Tal espaço nos faz tanto mal que sentimos a necessidade de preenche-lo com substâncias tóxicas, artifícios que provocam um êxtase passageiro e causam uma irremediável dependência destruidora.

Mesmo que você esteja vivendo um momento de dor, de grande dificuldade e abandono (“comendo o pão que o diabo amassou”), não se maldiga ou blasfeme, este também é um momento de buscar a Deus.

A mensagem que Gil quer nos passar é que estar on line com Deus não é preciso ser rico ou ter muitos bens, Ele é simples e acessível, estando disponível 24 horas, pronto para se dispensar para quem tenha este íntimo desejo.

É impressionante a emoção que Elis Regina passa nesta música. Escutar esta canção nesta linda e inesquecível voz já é quase uma oração.

Autor – José Maria Cavalcanti

Show de Elis

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VÍDEO – VIVA A MÚSICA POPULAR BRASILEIRA

Este vídeo é muito especial, feito pela Rede Bandeirantes. Ele começa com uma contagem regressiva, com fotos de momentos inesquecíveis da carreira de Elis Regina. A seguir, narra o episódio que marcou a relação profunda de amizade de Elis com Milton Nascimento. O próprio cantor relata: “Era meados dos anos 60, eu estava só, vivendo há pouco em São Paulo, com poucos amigos. Estava caminhando pela rua, bem perto do fim do ano, quando fui parado por Elis Regina, que me convidou para passar a festa do Natal com sua família, no Rio de Janeiro.” Milton relata que… “naquele momento, seus olhos se encheram de lágrimas. E naquele Natal ele soube o que é ser amigo.”

Este trabalho que aqui posto para todos os fãs de Elis Regina é um registro muito importante da carreira de nossa pimentinha.

Não deixem de ver, é emocionante!

Elis – Parceria Iluminada

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CORSÁRIO

João Bosco e Aldir Blanc

Meu coração tropical
Está coberto de neve, mas
Ferve em seu cofre gelado
E a voz vibra e a mão escreve: mar
Bendita a lâmina grave
Que fere a parede e traz
As febres loucas e breves
Que mancham o silêncio e o cais
Roseirais! Nova Granada de Espanha!
Por você, eu, teu corsário preso,
Vou partir a geleira azul da solidão
E buscar a mão do mar,
Me arrastar até o mar,
Procurar o mar
Mesmo que eu mande em garrafas
Mensagens por todo o mar
Meu coração tropical
Partirá esse gelo e irá
Como as garrafas de náufragos e as rosas
Partindo o ar
Nova Granada de Espanha
E as rosas partindo o ar!

Assim como aconteceu com a música Corsário, João Bosco conta que, sempre que entregava uma composição para Elis Regina, dali se abria uma janela de tempo até que ela apresentava ao mundo sua versão final do trabalho. Sua voz emblemática marcava de tal maneira a composição que era difícil para o autor cantá-la com diferente roupagem.

Todos os autores sabiam que Elis imprimia uma marca a tudo que fazia, como se fosse a vida e alma dela sendo sopradas na melodia e letra. O resultado fabuloso desse ansioso tempo aguardado era sempre um produto final cheio de magia e genialidade.

Quando ela ia ao palco defender cada música, entregava-se totalmente, colocando muita emoção e calor humano em cada apresentação, algo trazido de suas vivências, além dos sentimentos doces, e por vezes amargos, de seus intensos e conturbados envolvimentos amorosos.

Já o próprio autor, João Bosco, ao levar o mesmo tema – CORSÁRIO – a público, faz sempre uma introdução musical, com sua levada e voz autênticas. Ele faz isto com estilo todo próprio, com peripécias harmônicas produzidas no seu inseparável violão. Estes versos são como um pano de fundo para iniciar seu canto:

 “Fiz ranger as folhas de jornal, abrindo-lhe as pálpebras piscantes, e logo de cada fronteira distante subiu um cheiro de pólvora, perseguindo-me até em casa. Nestes últimos vinte anos, nada de novo há no rugir das tempestades. Não estamos alegres, é claro, mas por que razão haveríamos de ficar tristes com o mar da história, que é agitado. As ameaças e as guerras, havemos de atravessá-las, rompê-las ao meio, cortando-as como uma quilha corta as ondas.”

Não só a Elis e o João Bosco interpretaram Corsário. Este tema musical já foi cantado por Ney Matogrosso, Djavan, Zizi Possi e até por Daniela Mercury.

Tais artistas também imprimiram suas marcas nesta obra-prima de João Bosco e Aldir Blanc.

CORSÁRIO

Meu coração tropical está coberto de neve, mas ferve em seu cofre gelado

Corsário – todos sabem que os corsários eram piratas, exímios na arte de navegar, que saqueavam navios antes que eles chegassem a seus destinos finais, no intuito de roubar suas mercadorias ou outros objetos de valor: ouro e prata.

O poeta se utiliza de muitas figuras, nos versos poéticos, para viver o drama provocado pelo afastamento que se dá entre ele e sua mulher amada. Estando distante, seu coração tropical, quente, é açoitado por ventos gelados em seu cárcere (prisão), que tentam em vão apagar a chama que arde em seu peito, o qual é comparado a um “cofre gelado”.

E a voz vibra e a mão escreve: Mar

Mesmo sofrendo e passando aperto, ele ainda encontra forças para falar e escrever a palavra mais significativa: MAR – sua vida, que representa sua carência e a imensidão física que o separa do seu amor.

Bendita a lâmina grave
Que fere a parede e traz
As febres loucas e breves
Que mancham o silêncio e o cais

Este vento ruidoso e cortante é como lâmina que fere, provocando sangramento que mancha seu lugar seguro: o cais, onde ele está atado. O corpo, tal qual paredes que envolvem o cofre, tem fragilidades e adoece com febres loucas.

Roseirais! Nova Granada de Espanha!
Por você, eu, teu corsário preso

Na América do Sul, a Espanha fincou bandeira e fundou Nova Granada, que tem “Rosales” (roseirais) como um de seus rincões. O local hoje é Bogotá – capital da Colômbia.

No local, havia uma antiga prisão da coroa Espanhola, que servia para desterrar e aprisionar perseguidos políticos, mantendo-os longe da Europa.

Assim como Portugal, a Espanha também usava extrair muitas riquezas de suas colônias, assim como aconteceu com o Brasil e outros tantos países, enquanto durou este julgo colonial.

O corsário era um sinônimo de liberdade. O poeta diz que, pela amada, ele é “um corsário preso”, isto é, por ela, ele abriu mão do mar: local do seu viver livre.

Vou partir a geleira azul da solidão
E buscar a mão do mar,
Me arrastar até o mar,
Procurar o mar

A solidão é qual um geleira gigantesca e indestrutível a isolar as pessoas que se amam.

Como um navio quebra gelo rompe as grossas camadas geladas que impedem a aproximação, ele quer “procurar o mar”, “se arrastar até o mar” e “buscar a mão do mar”. Dessa forma, ele estará de novo em contato com seu querido ambiente náutico, único meio de atingir o objetivo de se juntar novamente a seu amor.

Mesmo que eu mande em garrafas
Mensagens por todo o mar

São famosas as garrafas lançadas ao mar, quase todas têm o intuito de levar mensagens de amor ou de socorro aos lugares distantes.

Partirá esse gelo e irá
Como as garrafas de náufragos e as rosas
Partindo o ar

Somente a via marítima possibilitará o “partir o gelo” (solidão) e, como as garrafas de náufragos (correio eletrônico ou outras mídias sociais) no seu flutuar sobre as ondas, ele buscará na imensidão das águas o caminho de volta que o levará a sua rosa, a qual exala fragrância no ar. Estes aromáticos ventos também são a força motriz que move as velas da embarcação (as asas da imaginação).

Nova Granada de Espanha
E as rosas partindo o ar!

O cheiro das rosas de Nova Granada é como uma inspiração para fazer o corsário navegar uma vez mais.

Autor José Maria Cavalcanti

Nelson Motta e Elis Regina

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Elis Regina foi uma grande paixão de Nelson Motta.

Muita coisa boa surgiu desta conjunção artística. Ele a colocou para fazer programas para a televisão, juntamente com Ivan Lins, depois a levou para o Beco das Garrafas e foi responsável pelo lançamento de muitos dos sucessos musicais da cantora.

O que houve entre eles foi mais além da música e deu motivo de separação entre ela e Ronaldo Bôscoli.

No livro Noites Tropicais, ele narra com uma emoção muito particular seu afeto saudoso pela Elis:

“Feliz Aniversário, Elis!

Querida, Parabéns! Você, como eu, como quase todos nós da turma, já é uma sexagenária! Se bem que alguns estão mais para sexygenários … (RS ) Edu, Chico, Caetano, Gil, Milton, Ivan, João Bosco, Aldir, todos estão pensando com carinho e gratidão em você, que lhes deu as primeiras oportunidades de mostrar sua arte, que deu brilho, cor e profundidade a suas músicas e letras, que deu visibilidade a seus sons e suas palavras. Depois que você foi, durante muito tempo repeti com sucesso a piada: ” Já repararam como a cada nova cantora que aparece a Elis está cantando melhor ? ” Claro, com Cássia Eller e Marisa Monte a piada perdeu a graça. Mas você seguiu melhorando a cada vez que se ouve, as modas e os modismos passam, e seu estilo, seu repertório, seus arranjos não só permanecem como crescem com o tempo. E Maria Rita? Que presente mais maravilhoso você deu a seus fãs com Maria Rita! E que melhor herança uma mãe cantora pode deixar para uma filha que a sua voz? E que voz! Com o tempo, Maria Rita encontrará seu próprio estilo de usá-la, que certamente será muito diferente do seu, mas a voz, a inconfundível voz de timbre cristalino e caloroso, esta seguirá pelo tempo, pela garganta de sua filha. Olha, essa história de vocês duas sempre me comove, é bem sentimental. E sensacional. Maria Rita, mesmo com essa voz e essa musicalidade toda, nunca havia pensado em cantar até os 25 anos. Que surpresa, hein? Fico imaginando você ouvindo Maria Rita com as lágrimas rolando sobre seu sorriso escancarado clássico, que te fechava os olhos, me cotucando com o cotovelo e cochichando, ” Putaquepariu! Como canta essa garota! ( separando bem as sílabas, sem se dar conta de quem ofendia com sua euforia ) Pu-ta-que-pariu! ” ( rs ) Muitas saudades, muitos beijos do amigo e fã N.”

Fontes:www.sintoniafina.uol.com.br; Noites Tropicais,Nelson Motta, Ed. Objetiva.

Elis Regina

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ROMARIA NA VOZ DE ELIS REGINA

ROMARIA

Interpretação – Elis Regina

Letra e Música – Renato Teixeira

Romaria

Elis Regina

É de sonho e de pó

O destino de um só

Feito eu perdido

Em pensamentos

Sob o meu cavalo

É de laço e de nó

De jibeira o jiló

Dessa vida

Cumprida a só

Sou caipira, pirapora

Nossa Senhora de Aparecida

Ilumina a mina escura e funda

O trem da minha vida (2x)

O meu pai foi peão

Minha mãe solidão

Meus irmãos

Perderam-se na vida

À custa de aventuras

Descasei, joguei

Investi, desisti

Se há sorte

Eu não sei, nunca vi

Sou caipira, pirapora

Nossa Senhora de Aparecida

Ilumina a mina escura e funda

O trem da minha vida (2x)

Me disseram, porém

Que eu viesse aqui

Prá pedir de

Romaria e prece

Paz nos desaventos

Como eu não sei rezar

Só queria mostrar

Meu olhar, meu olhar

Meu olhar

Elis Regina ficou conhecida também por lançar novos talentos na MPB. Renato Teixeira não foi exceção. Quando sua bela composição recebeu a voz talentosa da cantora, seu nome foi projetado e suas portas foram abertas para outros grandes sucessos.

Romaria, além da melodia, tem uma letra belíssima.

“É de sonho de pó”

O contraste da coisa sonhada e a triste realidade já estão presentes no primeiro verso da letra da música.

O desejo por dias melhores, de fartura, povoa a mente do fervoroso homem do campo, que com fé luta contra as adversidades de sua dura e solitária rotina.

“O destino de um só/Feito eu perdido/Em pensamentos/Sob o meu cavalo”

E não havia de ser diferente. Tinha sido assim com seu avô, seu pai e agora com ele – todos com o mesmo destino. A mesma lida no arado, na semeadura, a eterna espera por chuvas e, quando não surgia contratempo, dava-se a tão esperada colheita, que representava comida no prato.

O chão sagrado, pisado pelas patas do cavalo, é a origem do sustento da família.

“É de laço e de nó/De jibeira, o jiló/Dessa vida/Cumprida a só”

Às vezes somos laçados pelo destino a viver toda uma vida num só lugar, como atado por um nó.

E não poucos os nós da vida.

(algibeira: palavra de origem árabe, que quer dizer cansaço, fadiga. A corruptela “gibeira” tem o significado de bolso).

Aqui Renato Teixeira fala da luta cansativa de viver camponês, uma carga da pesada e deveras amarga, como o fruto do jiloeiro.

Ele sofre com as agruras que tocam o seu dia a dia, mas sabe que tem de fazer das tripas coração e dar cabo, sozinho, dos seus enfadonhos afazeres.

“Sou caipira, pirapora/Nossa Senhora de Aparecida/Ilumina a mina escura e funda/O trem da minha vida”

Ele é aquele que não nega sua origem (caipira) e luta pela sobrevivência (pirapora).

Na sua fé, sente que há esperança, sim. Que uma hora sua vida vai melhorar e será iluminada, igual à peleja que o minerador tem à procura de pedras preciosas nas minas escuras e fundas. Quando isto acontecer, será só felicidade, como a que se tem com a chegada do trem lá pras bandas de Minas, carregado de notícias, mantimentos e pessoas queridas.

“O meu pai foi peão/Minha mãe solidão/Meus irmãos/Perderam-se na vida/À custa de aventuras”

A tradição de família atada ao campo é comum em muitas regiões do país. Como o homem do campo luta de sol a sol, muitas vezes a mulher fica relegada a um segundo plano, entregue à solidão. Alguns filhos fogem, buscando mudar esta linha traçada pelo destino, mesmo que muitas vezes tudo acabe mal, que é o custo da aventura.

“Descansei, joguei/Investi, desisti/Se há sorte/Eu não sei, nunca vi”

Lidar com a terra é extremamente cansativo, mas vem a noite para o descanso, até que o sol da manhã o impele novamente a se jogar em mais uma jornada. No campo, muito se investe, e às vezes dá vontade de desistir de tudo, diante das marés de infortúnios e azar. Nesta hora, passa-se a duvidar até da sorte.

“Me disseram, porém/Que eu viesse aqui/Prá pedir de/Romaria e prece/Paz nos desaventos/Como eu não sei rezar/Só queria mostrar/Meu olhar”

É comum se avistar nas estradas vicinais o tropeiro, cavalgando em direção à cidade que abriga o santo ou santa de sua devoção. Muitas vezes em romaria, buscam todos na força da fé, com base na prece, a mudança da sorte.

Aos que não sabem expressar com palavras aquilo que sentem, resta o olhar.

E qual santo que não se compadece com o olhar profundo e sincero de gente tão sofrida?

Fonte: http://bollog.wordpress.com/